
Liberdade não é o que pensas

Rita Cabrita
Falamos de liberdade como se fosse um destino. Um lugar onde finalmente chegamos e dizemos: “agora sim, sou livre.”, mas, na verdade, a liberdade não está no fim de nada, está na forma como caminhamos. Não é fazer tudo o que queremos, é perceber porque queremos o que queremos. Porque muitas vezes aquilo a que chamamos liberdade é só uma resposta automática a um desconforto que não sabemos nomear. Fugimos, e chamamos-lhe escolha. Reagimos, e chamamos-lhe autenticidade. Mas liberdade verdadeira, é o espaço entre o impulso e a ação. É quando sentes o corpo a querer escapar, mas escolhes ficar. É quando a mente quer controlar, mas escolhes confiar. É quando tudo em ti pede distração, mas escolhes presença. A liberdade não é ausência de condicionamento, é consciência sobre ele. Não é viver sem limites, é deixar de ser dominada por eles, e talvez o mais desconfortável de tudo: ser livre implica responsabilidade. Responsabilidade de olhar para dentro e admitir que nem tudo o que fazes é “quem tu és” muito é só o que aprendeste a ser. Liberdade é desaprender, é retirar camadas. É perder identidades que já não servem. E sim, às vezes isso dói. Porque o conhecido, mesmo limitado, parece mais seguro do que o desconhecido, mesmo verdadeiro. Mas há um momento…um momento silencioso, quase imperceptível, em que deixas de reagir ao mundo e começas a responder a partir de ti. E nesse instante, sem aplausos, sem validação, sem espetáculo...és livre. Não porque tudo está perfeito, mas porque já não precisas que esteja.
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