Yoga Life

Maria João

Um dos ensinamentos fundamentais do yoga recorda-nos da importância que os ciclos naturais têm no nosso equilíbrio e bem-estar. Tal como na Natureza, há momentos de actividade e momentos de repouso. Há movimentos de expansão e movimentos de contracção. Há uma dinâmica harmoniosa em constante mutação. O Inverno é um momento de contracção de uma longa expiração que nos envolve e traz para dentro, para o recolhimento. O descanso permite discernir o que é certo para nós, o seu silêncio permite ouvir o que o nosso ser realmente sente, pois, quando estamos cansados, os nossos sentidos e clareza mental têm uma capacidade limitada. A passagem para um novo ano civil acontece no pico do Inverno, no apogeu do repouso e recolhimento, tão necessário à nossa natureza enquanto seres terrenos. Não é altura para recomeçar ciclos. Essa energia, a da renovação, ainda não chegou. Ainda não é o momento dessa expansão. Esta era a sabedoria das antigas culturas que se alinhavam com as estações do ano, usando este tempo para reunir forças para a energia da primavera, quando um novo crescimento começa naturalmente. Actualmente, deixamo-nos levar numa corrente contra-natura, que nos separa, mais e mais, de quem somos. Deixamo-nos apanhar pelo discurso mercantilista que tem apenas como objectivo o lucro e o poder. Esquecemo-nos da simplicidade de se ser naturalmente humano. Esquecemo-nos que somos seres cíclicos com ritmo próprio, que, tal como a terra, a lua, o sol, temos estações e fases. Somos Natureza! Honrar as estações e os ciclos naturais, relembra-nos que nada dura para sempre, que há momentos e ciclos para tudo, incluindo o repouso. Mas, então, por que nos sentimos tão culpados quando paramos de produzir/fazer/agir? Por que temos tanta dificuldade em aceitar que parar, nutrir, repousar é fundamental, faz parte de quem somos neste devir contínuo?

Apr 2, 2026
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